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Dossiê Sady Baby

Meninas Virgens e P... (Troca de Óleo)
Direção: Sady Baby e Renato Alves
Brasil, 1983.
Por Gabriel Carneiro

Sady Baby e Renato Alves foram dois dos mais extravagantes diretores da época explícita da Boca do Lixo. Faziam filmes bizarros, brincavam com os estereotipos, e dentro do que foi feito de pornô na época, sejam talvez os mais autorais por exprimirem um lado bem reprimido da sociedade: a “perversão” do sexo em diferentes níveis. Porém, isso não faz com que a estréia da dupla seja um bom filme. Pelo contrário, é algo deveras mal feito e tosco.

Sinceramente, não vejo nada demais em filmes de sexo explícito, considero inclusive algo desnecessário à maioria das tramas. Sexo explícito só para ter sexo explícito, e conseqüentemente, público, é dispensável, pois não interfere diretamente no que se quer ser mostrado. Em contrapartida, isso pode muitas vezes incrementar a história, e mesmo que sua extensão soe falsa, garantem bons momentos de diversão. Em Troca de Óleo isso não ocorre. Sady e Alves constroem uma história tola e idiota, para fazer reinar as cenas medonhas de sexo que tanto gostavam.

Até metade do longa, há uma exploração interessante da realidade dos marginais rodeados pelo sexo, pela orgia e pelo desfrute carnal. Chega a um ponto em que a aventura do ex-presidiário contra seus ex-parceiros entedia. E o filme acaba, porque não quer dizer nada, só quer garantir a saudável masturbação do espectador – e que provavelmente não ocorrerá. Parece que essa necessidade de zombar das práticas sexuais é o ponto principal, e assim, o filme torna-se enfadonho. Não é engraçado, não é divertido, tem uma péssima realização – vide as cenas de morte, que só seriam feitas de maneira pior se uma criança estivesse na produção -, e o sexo, ah, o sexo... bem, em sua maioria é feito por pessoas escabrosas e feias, de maneira nem um pouco excitante – talvez com exceção de uma atriz, loira de cabelos longos que clama quando em prática sexual: “Ai, me chama de vagabunda.” Talvez, haja coisas engraçadas, afinal de contas.

Os diálogos são primários, e só conseguem ser de fato engraçados nos momentos de transa de alguns casais. O melhor momento do filmes é a citada cena de sexo entre o sujeito, cujo pênis é apelidado de anzol (!), com a mulher gritando safadezas suas taras por ser chamada de vagabunda, piranha e afins.

Sady faz a personagem principal, que quer se vingar do ex-parceiro que lhe roubou o dinheiro. Isso lhe dá motivo para encarar as mais insossas situações, incluindo a perseguição final no cemitério, os esconderijos e a milagrosa solução final, idiota e pouco palatável. Uma coisa é não se levar a sério, e levar seu cinema como se fosse uma grande brincadeira. Outra é abusar da imbecilidade do público. Ficarei espantado se uma legião de fãs se rebelar contra mim, devido a esse texto, com fizeram com a colega Melody e sua crítica à Avril Lavigne – esses tem atestado de acefalia.

Quem está mais interessado em saber o que se pode encontrar no filme no quesito sexual, eis uma pequena lista: homossexualismo masculino, escatologia, transsexualismo, sexo anal, e insinuações a sexo com animais. Todos esses temas são constantemente revisitados nos outros filmes da dupla, que fazia questão de mostrar o lado sexual recriminado pela sociedade – aliás, muito desses temas ainda são.

Baby, que faz papel de malvado com sua roupa cheia de pregos, busca na canastrice o maior proveito do péssimo elenco. Aliás, na péssima produção. A câmera parece parada em todas as cenas em estúdio, filmando apenas um ângulo, seja nas cenas de sexo, seja nas nos confrontos. Entendo que não tinha dinheiro para fazer um bom filme. Mas Mojica também não tinha, e ainda assim, tem grandes obras-primas entre seus filmes. O fato é que não eram criativos, e Meninas Virgens e P... mostra que eram também incompetentes. Fico também imaginando se Elton John, Carpenters e outros sabem sequer que suas músicas foram usadas indevidamente em produção de tão má qualidade.

Filme que prova que qualquer idiota pode fazer cinema. Agora estou à espera da minha vez.

*Crédito de imagens: http://www.dino1videos.org/



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