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Carta ao leitor.

Pequeno agradecimento a Remier Lion

Pra quem acompanha a nossa Zinguzinha ou qualquer publicação especializada sobre cinema brasileiro, sabe que a memória cinematográfica do nosso país é uma piada. Por isso mesmo, é importantíssimo que existam espaços na internet como a Zingu!, como o Estranho Encontro da grande amiga Andrea Ormond, como o Pornochancheiro do Beto Ismael (http://www.pornochancheiro.blogspot.com/) e, mesmo para os mais exóticos, como o Necrofilmes, do porreta Yuri Kochen.

Porém, existe uma pessoa que, embora não beba tubaína, faz um trabalho bem mais importante que todos nós. Uma verdadeira personalidade que ajuda antigos cineastas, técnicos e atores do cinema nacional terem maior dignidade em suas vidas. Essa pessoa é o genial Remier Lion.

Por meio de uma entidade íntegra como a Cinemateca Brasileira, ele vem realizando um trabalho ímpar. Já organizou diversas mostras tentando ampliar o conhecimento sobre a história da nossa cinematografia. Eu acompanho o trabalho dele desde 2004, quando ainda de calças curtas, eu ia assistir filmes raros e difíceis de serem achados. Através dele, consegui conhecer realizadores como Jacy Campos, Clery Cunha, Nilo Machado, Luiz Gonzaga dos Santos, Ody Fraga, Tony Vieira, entre vários outros. Eu, como cinéfilo, devo muito a este grande e empenhado pesquisador.

Mas devo mais como pessoa. Nesse ano, para uma mostra, a Cinemateca Brasileira restaurou, em novas cópias, diversos grandes filmes brasileiros. Vários não eram de diretores conhecidos e queridinhos da maioria da crítica moderninha de Ipanema. Entre esses estava um filme chamado A FILHA DO PADRE, um grande faroeste de Tony Vieira, realizado no ano de 1974.

Para a sessão deste histórico longa, Remier chamou o grande comediante Heitor Gaiotti para uma palestra após o filme. Na verdade, todos nós sabíamos que a exibição do longa era uma pequena desculpa para realizar uma grande e belíssima homenagem à personalidade de Gaiotti. Foi uma das coisas mais sensíveis que já vi, todo o carinho e a ternura em que este extraordinário pesquisador tratou o antigo ator da Boca. Além de mim e alguns outros fãs de cinema, estavam os filhos do ator visivelmente emocionados pela correta e linda homenagem.

Este incansável batalhador agora nos presenteia com uma mostra dedicada inteiramente a Ody Fraga. Qual a importância de um evento como esse? Qual a contribuição de Remier à memória cinematográfica do cinema brasileiro e paulista? Na verdade, as palavras ficam pequenas diante da seriedade deste brilhante trabalho.

Há décadas atrás tivemos grandes pesquisadores como Alex Viany, Rubem Biáfora, Michel do Espírito Santo, Cosme Alves. Hoje temos extraordinárias figuras como Antônio Leão da Silva Neto, Andrea Ormond, Luiz Felipe Miranda, Hernani Heffner e Remier Lion.

Espero realmente que ele continue sempre com este incansável e independente trabalho que tanto ajuda essas pessoas que deram a vida pela nossa cinematografia.

Matheus Trunk
Editor-chefe da Zingu! e fã de Remier Lion

PS: Os dias e horários da mostra de Ody estão no Zingu!News



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