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Dossiê CONRADO SANCHEZ

CINDERELA BAIANA
Direção: Conrado Sanchez
Brasil, 1998.

Por Matheus Trunk

Afastado da direção de cinema por anos, Conrado Sanchez voltou as telas com esse “Cinderela Baiana”. A fita é uma espécie de musical usando a fama da dançarina Carla Perez, na época no auge do sucesso graças ao grupo É O Tchan.

Gravado inteiramente na Bahia (uma parte no interior e outra em Salvador), “Cinderela Baiana” não é um filme que mereça cinco ou quatro estrelas. Na verdade, o filme foi um gigantesco fracasso, tanto na finalização (afinal, se gravou apenas metade do roteiro), na exibição e na distribuição.

A associação de Antônio Polo Galante (antigo produtor da Boca do Lixo) e o antigo distribuidor Magalhães foi um gigantesco fracasso, terminando numa grande briga entre os dois. O filme acaba sofrendo um reflexo de todos os problemas de sua produção e finalização.

Conrado, mais uma vez se vê do trabalho de artesão. A trama é das mais repetidas em filmes biográficos: moça órfã de origem humilde tem grande aptidão a dança, especialmente o axé e sonha ser dançarina. Começa então uma peregrinação por lugares em busca do seu. Acaba sendo explorada por um empresário (Perry Salles, memorável).

Pra quem está acostumado com filmes brasileiros ás vezes um pouco mal-produzidos e fitas da Boca, “Cinderela Baiana” não será nenhuma surpresa. Carla Perez pode não ser a melhor atriz que já tivemos no Brasil, porém, até que não faz feio nessa “Cinderela Baiana”. Lázaro Ramos, hoje ator já cult teve aqui sua primeira chance no cinema, numa ponta. Embora tenha declarado em entrevistas que não gostou do papel, Conrado apostou nele e parece que teve sorte.

Mas o melhor do filme é mesmo Perry Salles. Ator ainda subestimado em nossa cinematografia, ex-marido de Vera Fischer teve grandes papéis na época da pornochanchada. Só pra lembrar, “O Marido Virgem” é outra fita, em que Perry detona, sendo por merecimento mais um gigante do cinema brasileiro.

“Cinderela Baiana” também acaba funcionando como um documentário do axé. Nenhum filme que eu pelo menos me lembre registra melhor o que foi este fenômeno musical da segunda metade dos anos 90. Grupos como Ara Ketu, Jammil e Uma Noites, Jheremmias, Cabelo de Fogo, entre outros participam de “Cinderela Baiana” e ajudam a tornar isso mais evidente.

Também marca presença no filme é o pagodeiro Alexandre Pires, na época ainda do grupo Só Pra Contrariar. Nesse 1998, Pires era namorado de Carla e por isso acaba fazendo o par romântico dela na fita.

A montagem é do craque Éder Mazzini, que foi sócio da mitológica EMBRAPI e grande parceiro de Carlos Reichenbach nos anos 80. Mazzini é amigo de Conrado há muitos anos e também andava um pouco afastado do cinema depois da queda da Boca.



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