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Especial Carlos Motta

REPERCUSSÃO

Por Matheus Trunk

“Este final de ano foi cruel aos nossos críticos. Perdemos o Motta e perdemos também o grande crítico carioca Paulo Perdigão. Carlos Maximiliano Motta era um gentleman e o discípulo mais fiel de Rubem Biáfora. Motta e Perdigão foram de uma geração de espectadores que não existe mais...”, Carlos Reichenbach, cineasta.

“Quando eu fiz aquele filme com o Biáfora, foi engraçado. Tinha sempre um baixinho de óculos que andava carregando uma mala. Ele estava sempre com o Rubem, parecia uma espécie de escudeiro”, Francisco Ravagnoli, o Padre, eletricista e ator em “A Casa das Tentações” de Rubem Biáfora

“Péssima, embora previsível, a notícia da morte de Carlos M. Motta. Quando comecei a fazer a coluna de Filmes na TV na Folha, a gente se servia de livros de referência tipo Leonard Maltin. Mas eles nunca tinham tudo. O Motta é que tinha. Quem disse para procurá-lo na hora do aperto foi o Rubens Ewald. Sempre que precisei dele, o Motta se desdobrou. Desbravava seus arquivos e coleções para trazer a informação. Nunca quis crédito por isso. Nunca fui seu amigo propriamente, mas me alegrava encontrá-lo nas sessões de imprensa. Foi uma pessoa leal, íntegra, bondosa. Ele morreu ainda em 2006. Recebi a notícia no dia 2 de janeiro. Não foi a única notícia fúnebre do dia. Espero que 2007 seja melhor para todos”, Inácio Araújo, crítico da “Folha de São Paulo”.

“Terminei o substituindo, ao chegar a São Paulo. Sempre encontrava o Motta nas cabines e ele era muito simpático. Creio que nunca conversamos de verdade. Apenas alguma troca de cumprimentos, comentários superficiais sobre os filmes que íamos ver (ou que acabávamos de assistir). Estava, creio, ligado a Rubens Ewald Filho, tendo feito alguns volumes da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial, incluindo o de Rubem Biáfora. Procurei no arquivo do Estado e encontrei na pasta do Motta, uma foto dele, ainda jovem, com o Biáfora, figura lendária da crítica paulista. Motta chamou seu volume sobre Biáfora de Sem Medo de Ser. Queria sabem em que ano o Motta entrou no Estado e procurei no Arquivo do jornal. Seu primeiro texto data de setembro de 1965, sobre o filme A Dama do Cachorrinho de Youssif Kreifitz. Enfim, foi-se o Motta. Morreu de câncer, que se manifestou, segundo me informaram, em setembro. Tudo muito rápido, mas a lembrança do que o Motta escreveu permanece viva nos arquivos do jornal. A Coleção Aplauso bem poderia dedicar-lhe um volume próximo”, Luiz Carlos Merten, crítico do “O Estado de São Paulo.

“O trabalho inicial do (do “Dicionário de Cineastas”), foi todo feito a mão, com um caderno, uma caneta, mergulhado nos arquivos do Estado de São Paulo e nas anotações dos críticos Rubem Biáfora e Carlos Motta (a quem este livro continua dedicado)”, Rubens Ewald Filho, crítico de cinema.



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