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Zingu!NEWS

Por Matheus Trunk, Gabriel Carneiro e Sérgio Andrade

FRASE PHODA
Ozualdo Candeias é o Pasolini brasileiro
Rubem Biáfora (MT)

MOMENTO PHODA
Num bordel Tonho (Jorge Karan) descobre que dormiu com a própria irmã (Bibi Voguel) e sai dando tiro em todo mundo
Momento do filme “Meu Nome é Tonho” lançado 1969 de Ozualdo Candeias (MT)

EM BREVE A BIOGRAFIA DE SADY BABY
Os jornalistas Gio Mendes e Fausto Salvatori já iniciaram a biografia do cineasta, ator e produtor Sady Baby. Autor de filmes como “O Ônibus da Suruba”, “Emoções Sexuais de Um Jegue” e principalmente de “No Calor do Buraco”, Baby se notabilizou nos filmes explícitos da Boca nos anos 80.

Ainda sem data prevista para o lançamento da obra, os autores pretendem entrevistar cerca de 150 pessoas. “A idéia de fazer a biografia do mestre surgiu quando o entrevistei para o “Diário de São Paulo”. Eu já conhecia a obra dele e propus. Ele me disse que já vinha pensando nisso. Portanto, uniu o útil ao agradável”, setencia um dos autores, Gio Mendes.

A vida de Sady é interessantíssima. Antes de se inciar na carreira artística, ele foi jogador de futebol e trabalhou numa grande rede de supermercados. Entre os fatos mais inusitados do livro, é engraçado saber que Baby teve nada mais, nada menos que 32 filhos. E cada um com uma mulher diferente.

A Zingu! acompanhará a elaboração da obra, inclusive estando presente em algumas das entrevistas que farão desse uma das mais interessantes biografias já publicadas. A Zingu! apóia lançamentos culturais que saem dos modismos costumeiros. Longa vida ao projeto ! (MT)

FILMES NOSSOS
Por Jairo Ferreira

Alguns milhões de cruzeiros novos foram investidos na produção de filmes brasileiros- isto só no último trimestre de 68. Abandonando sua fase de empirismo e/ou utopia, o cinema nacional está caminhando rumo a industrialização e/ou maturidade. Só um gringão tipo Dino Sizza duvida de tais fatos. De um lado há um grande esforço dos homens que fazem cinema no Brasil, procurando e já tendo atingido um nível apreciável de qualidade. De outro, está o nosso Institute, que pensa que o ingresso padronizado redimiu o cinema nacional. No primeiro quadrimestre deste ano acumularam-se mais de 30 filmes nas prateleiras, para só falar em São Paulo. O INC ainda não aumentou os dias de exibição, obrigatória para filmes nacionais, estacionados em míseros 56/ano. Os realizadores estão endividados até o pescoço. Um filme se paga e/ou dá lucro na bilheteria, não nas prateleiras ou nas gavetas do INC. A demanda interna é violenta, os filmes são bons e comerciais e vai chegar o momento em que os cineastas brasileiros vão quebrar o pau com o INC, que está encarregado de assegurar o lançamento de nossos filmes. Como é, INC, vai abrir uma brecha no mercado ou não vai ?

O Cangaceiro Sanguinário, Art Palácio, filme de “cangaço” que valoriza o gênero, revela Oswaldo de Oliveira como ótimo diretor-artesão. Galante e Llorente, os produtores, acertaram em cheio. O filme é comercial no bom sentido. Aborda o tema não à moda de certos picaretas, mas com honestidade profissional. Uma equipe idônea e eficiente garante o espetáculo. Há violência e erotismo, mas de maneira válida. Direção firme. Atores corretos. Boa música. Bela fotografia eastmancolor. Nada sério demais nem cansativo- isso é bom.

Outra surpresa: Perigo á Vista, Cine Olido, sensacional direção de Reynaldo Paes de Barros. Agnaldo, por sorte, canta pouco. Prevalece a aventura: cinema é aventura, ritmo, movimentação. A fotografia colorida é das melhores. A montagem de Glauco Mirko Laurelli é genial. Na base do descompromisso, é um filme muito melhor que o do Roberto Carlos.
Originalmente publicado em primeiro de maio de 1969 no jornal “São Paulo Shinbun”. (MT)

TRANSAGERAL
Por Carlos Imperial

NAS telas cariocas, mais uma chanchada erótica engraçadíssima: O Varão de Ipanema. Em resumo, é a história de um rapaz do Norte, que vem tentar a vida no Rio, e acaba fascinado com a beleza, o charme e o veneno das garotas da Zona Sul. Luís Fernando Inanelli e Marta Moyano, nos principais papéis, como Sônia de Paula, Zélia Hoffman, Carlos Alberto Souza Barros, Carvalhinho e Bororó, no elenco. A direção é de Luís Antônio Piá e a música de Osmar Milito. É a mais nova fábrica de gargalhadas do cinema nacional.

ESTA semana, Lenino Otoni um dos mais atuantes diretores cinematográficos do cinema brasileiro, começa as filmagens da segunda história da fita O Namorador. Exatamente a que dá título ao filme, uma versão moderna da obra de Martins Pena, com Jorge Dória, Fernando Reski e Eduardo Tornaghi paquerando as garotas mais belas da Paulicéia. A primeira história já está pronta e chama-se A Festa, com Miriam Pérsia, Marta Anderson, Juciléia Teles, Catalano e Paulo Pinheiro. A direção é de Victor di Mello. (MT)

Cineclube HSBC Belas Artes

No dia 2 de fevereiro de 2007, o cinema HSBC Belas Artes inaugurou um novo projeto visando trazer de volta ao cenário paulistano o costume do cineclubismo. Na verdade, o que se está sendo feito é exibir filmes renomados em película. Esqueça o bate-papo pós-sessão, o investimento é revertido em apenas mostrar filmes desconhecidos ou sem cópia em vídeo/dvd para uma nova geração. Todos os dias, às 19h, na pequena sala 5/6 – sempre relativamente cheia -, há uma sessão. O mês de fevereiro foi dedicado a um tema, as “lolitas”, exibindo o neo-clássico de Kubrick, Lolita (tem cópia em dvd), um dos mais aclamados filmes do diretor da Nouvelle Vague Eric Rohmer, O Joelho de Claire, e dois filmes que entram na categoria de desconhecidos ou pouco aclamados – Bilitis, de David Hamilton, e Chuvas de Verão, de Christine Jeffs (tem cópia em dvd). No mês de março, do dia 2 ao 29, a programação se dedica ao cineasta americano independente Hal Hartley, com as sessões de Simples Desejo, Flerte, As Confissões de Henry Fool (tem cópia em dvd) e O Livro da Vida. Cada filme fica uma semana em cartaz. Para mais informações entrar em contato com cineclubehsbc@cinebelasartes.com.br (GC)
MOSTRA "CINCO VISÕES DE NOSSO CINEMA"

A Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia apresenta a Mostra “Cinco Visões de Nosso Cinema”.Exibição de cinco clássicos do cinema brasileiro. Palestras. Debate com o público.Cópias em 16 mm. Todos os sábados de março. Gratuito!Organização: Sergio Luiz de Andrade e Vinícius Del Fiol.

Dia 03/03 – 13:00 hs.
O Cangaceiro (idem, BRA, 1953)
Palestra de Vinícius Del Fiol
Direção: Lima Barreto
Roteiro: Lima Barreto e Rachel de Queiroz
Elenco: Alberto Ruschel, Marisa Prado, Milton Ribeiro, Vanja Orico, Adoniran Barbosa.
Duração: 95 min; Preto e Branco; Censura livre; Aventura.

Trama resumida: Na região do Nordeste Brasileiro um bando de cangaceiros apavora as pequenas cidades saqueando e matando moradores. Num destes ataques eles seqüestram uma jovem professora, Olívia. Teodoro, um dos integrantes do grupo se apaixona pela moça e a ajuda a fugir. Na fuga eles são perseguidos pelo bando de Galdino.

Dia 10/03 – 13:00 hs.
Palácio dos anjos (idem, BRA, 1970)
Palestra de Andréa Ormond e Eduardo Aguilar.
Direção: Walter Hugo KhouriRoteiro: Walter Hugo Khouri
Elenco: Norma Bengell, Joana Fomm, Adriana Prieto, Rossana Ghessa, John Herbert, Geneviève Grad.
Duração: 96 min; Colorido; Censura16; Drama.

Trama resumida: Barbara, uma mulher francesa vivendo em São Paulo, juntamente com mais duas outras amigas decide transformar um elegante apartamento em um bordel de luxo. O “palácio dos anjos” é um sucesso entre os homens ricos porém, crises de consciência e outros problemas existenciais abalam as moças.

Dia 17/03 – 13:00 hs.
Ato de violência (idem, BRA, 1980)
Palestra de Marcelo Carrard.
Direção: Eduardo Escorel
Roteiro: Eduardo Escorel e Roberto Machado
Elenco: Nuno Leal Maia, Selma Egrei, Renato Consorte, Ruthinéa de Moraes, Miriam Mehler
Duração: 112 min; Colorido; Censura 12; Policial.

Trama resumida: Após ter assassinado uma mulher, Antônio Nunes é sentenciado à trinta anos de prisão, e por ter cortado a vítima em pedaços ficou conhecido como “picadinho”. Na cadeia ele recebe freqüentes visitas da atormentada Tânia, que acaba contratando um advogado para Antônio. E graças ao advogado ele sai da cadeia em condicional, e volta a matar. O filme foi inspirado no caso real de “Chico picadinho”.

Dia 24/03 – 13:00 hs.
A baronesa transviada (idem, BRA, 1957)
Palestra de Matheus Trunk, com a presença do montador do filme Mauro Alice
Direção: Watson Macedo
Roteiro: Watson Macedo e Chico Anysio
Elenco: Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Humberto Catalano, Renato Consorte, Rosa Sandrini.
Duração: 110 min; Preto e branco; Censura livre; Drama.

Trama resumida: Gonçalina é uma simplória manicure que sonha em entrar para o cinema porém, suas tentativas são todas frustradas. Um dia ela fica sabendo, através de uma notícia de jornal, que uma rica baronesa está morrendo. Todos os amigos de Gonçalina acham que ela pode passar por herdeira devido a semelhança entre ela e a baronesa. Ao herdar a fortuna Gonçalina resolve realizar seu sonho e produzir um filme. No entanto, produtores inescrupulosos e a família maldosa de Gonçalina vão tentar enganá-la.

Dia 31/03 – 13:00 hs.
O Anjo loiro (idem, BRA, 1973)
Palestra de Matheus Trunk, com a presença do diretor Alfredo Sternheim.
Direção: Alfredo Sternheim
Roteiro: Juan Siringo baseado no romance de Heinrich Mann
Elenco: Vera Fischer, Mário Benvenutti, Célia Helena, Ewerton de Castro, Nuno Leal Maia.Duração: 99 min; Colorido; Censura 12; Drama.

Trama resumida: Laura é uma moça libertina que se entrega a todos os homens, sem no entanto demonstrar interesse por nenhum. Porém ao conhecer um professor, mais velho do que ela, e que também leva uma vida livre, ambos se envolvem. Versão brasileira do filme: “O anjo azul”.

Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia
Av. João Dias, 822 - Santo Amaro
Tel.: 5687-0513
Lotação: 150 lugares
Evento gratuito
(SA)

Premiações – Parte II

WGA
roteiro original – Pequena Miss Sunshine
roteiro adaptado – Os Infiltrados

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BAFTA
filme – A Rainha
filme britânico – O Último Rei da Escócia
atriz – Helen Mirren (A Rainha)
ator – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)
atriz coadjuvante – Jennifer Hudson (Dreamgirls)
ator coadjuvante – Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
roteiro original – Pequena Miss Sunshine
roteiro adaptado – O Último Rei da Escócia
direção (David Lean Award) – Paul Greengrass (Vôo United 93)

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Independent Spirit Awards
filme – Pequena Miss Sunshine
direção – Jonathan Dayton & Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine)
ator – Ryan Gosling (Half Nelson)
atriz – Shareeka Epps (Half Nelson)
ator coadjuvante – Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
atriz coadjuvante – Francis McDormand (Amigas com Dinheiro)
roteiro – Obrigado Por Fumar

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Framboesa de Ouro (Razzie’s)
filme – Instinto Selvagem 2
direção – M. Night Shyamalan (A Dama na Água)
ator – Marlon & Shawn Wayans (O Pequenino)
atriz – Sharon Stone (Instinto Selvagem 2)
ator coadjuvante – M. Night Shyamalan (A Dama na Água)
atriz coadjuvante – Carmen Electra (Todo Mundo em Pânico 4 e Uma Comédia Nada Romântica)

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Oscar
filme – Os Infiltrados
direção – Martin Scorsese (Os Infiltrados)
ator – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)
atriz – Helen Mirren (A Rainha)
ator coadjuvante – Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
atriz coadjuvante – Jennifer Hudson (Dreamgirls)
roteiro original – Pequena Miss Sunshine
roteiro adaptado – Os Infiltrados

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(GC)

CARTA ABERTA AO EDITOR DA REVISTA VIRTUAL ZINGÚ

Prezado Matheus Trunk,
acabo de ler a Zingú, que está ótima por sinal (com toda a sua organicidade caótica e deliciosa). Belos textos sobre Carlos Motta (um cavalheiro raro e pessoa de extrema elegãncia ética), do Carrard, do Aguilar (emocionante), do Sérgio, enfim...

No entanto, fiquei muito constrangido com a parte do depoimento do Luiz Gonzaga que se refere ao amigo em comum Jean Garret.

Participei do filme MULHER, MULHER e, sinceramente, não testemunhei nenhum assédio sexual e, muito menos, consumo público de drogas.

Posso ser muito ingênuo, mas eu não vi nada daquilo do que o colega Luis Gonzaga afirmou. Tudo bem, diferenças, desacordos e incompatibilidades todos nós temos com certas pessoas, mas é preciso cautela ao se falar de alguém que não está mais presente para se defender. Nestes momentos, o depoimento - precioso e esclarecedor em algumas partes - descamba para o ressentimento, a caretice e a infâmia.

Mais. Afirmar categoricamente que todos os profissionais que militavam na Boca eram de direita é uma basófia. É certo que havia, em meio à turba que passou pela rua do Triumpho até agentes do DOPS, mas noventa por cento dos profissionais locais não sabia (e nem queria) diferenciar esquerda de direita. A maioria era nitidamente apolítica. Tudo bem, minha cabeça sempre foi outra; minha postura pessoal anarco-libertária sempre esteve mais próxima a João Silvério Trevisan e Jairo Ferreira. Por isso, não consigo enxergar diferenças entre proselitismo de esquerda e proselitismo de direita. Proselitismo é sinônimo de catequese. Deus me livre! O bom da BOCA é que ela (Boca) chegou a ser - em certo momento - um território neutro, onde conviviam todas as diferenças. Nas mesas do Soberano, os ressentimentos eram afogados com rabo-de-galo. O Soberano desapareceu, os ressentimentos parecem ter aflorado do pântano. Isso não é uma constatação pontual, causada pelo depoimento do colega Luiz Gonzaga. Tenho lido e ouvido muita lamentação amargurada de antigos profissionais; até o recém-falecido cine-poeta Candeias, o grande independente, deixou escapar posturas magoadas em algumas de suas últimas entrevistas.

Quero deixar com você o meu depoimento pessoal sobre Jean Garret:

Um autêntico auto-didata, com uma paixão devastadora pela linguagem cinematográfica. Não sabia datilografar um argumento de meia duzia de páginas, mas sabia - como poucos, no Brasil - narrar imagéticamente uma história. Um autor instintivo da mesma estirpe de seus mestres, Mojica e Candeias, mas com uma sensibilidade estética rara; primitiva, às vezes bárbara, mas sempre original. Era, dos nossos "cineastas naifs", o que mais entendia de gramática fílmica. Tenho muito orgulho dos filmes que fiz com ele. Foi um grande companheiro e um profissional meticuloso e ousado. Pragmático sim, mas - pelo menos comigo - sempre um ser humano generoso e fiel (às vezes, com aquela sutileza lusitana, capaz de berrar no ouvido alheio, mas ao mesmo tempo, de presentear os amigos com flores). Vivo dizendo que tanto Jean Garret quanto o produtor Augusto de Cervantes, eram pessoas com quem os técnicos tinham prazer de trabalhar, pelo carinho e zelo com que éramos tratados profissionalmente. Como artista, Garret é um dos meus cineatas favoritos da Boca, ao lado de Mojica Marins, Claudio Cunha, Luis Castillini e Oswaldo de Oliveira. Sem eles ativos atrás das câmeras, concordo, o cinema nacional ficou mais pobre e triste.

No mais, na seara das paixões humanas e suas perversões, sinceramente não acho que revelar os bastidores sáficos das filmagens possa interessar a quem pesquisa o cinema com dedicação missionária, como é o seu caso.

Saiba que leio as entrevistas do Zingú, assim como as do blog ESTRANHO ENCONTRO, sempre com enorme satisfação, pois além do prazer de lembrar amigos e profissionais que respeito, dar boas gargalhadas, me emocionar, sempre aprendo coisas novas.

Grande abraço,
CARLOS REICHENBACH



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